Visite a cerca do antigo Mosteiro de Santa Marinha da Costa
Jardins da Pousada Mosteiro Guimarães
Com aproximadamente 9 hectares de extensão, o parque da Pousada Mosteiro Guimarães integra elementos arquitetónicos e paisagísticos, envolvidos por uma cobertura vegetal densa variada, classificada de interesse público.
O jardim e o parque da Pousada Mosteiro Guimarães formam um notável conjunto paisagístico, com origem na antiga cerca do Mosteiro de Santa Marinha da Costa, fundado no séc. XII. Esta cerca - um domínio murado, com mata de carvalhos e castanheiros, pomar, horta, tanques e moinhos - constituiu uma fonte de recursos e um local de recreio e meditação dos cónegos de Santo Agostinho e, a partir do séc. XVI, dos monges da ordem de São Jerónimo. No séc. XIX, após a extinção das ordens religiosas em Portugal, a propriedade foi adquirida por particulares.
A cerca foi então adaptada ao gosto da época como parque de lazer, tendo sido introduzidas árvores exóticas ornamentais e construída uma pequena gruta artificial, sob uma cascata. O arvoredo dos jardins viria a ser classificado de interesse público em 1940, mas, na sequência do incêndio de 1951 que destruiu a ala conventual, a antiga cerca foi completamente abandonada. Com a posterior aquisição pelo Estado e adaptação a pousada (inaugurada em 1985), o jardim e o parque foram recuperados como espaço de lazer para hóspedes e visitantes.
O atual jardim dispõe-se em canteiros de buxo com arranjo geométrico, sendo delimitado do edifício histórico da Pousada por uma sebe de japoneiras, com cerca de meia centena de pés de diferentes variedades. A partir do jardim, um escadório dá acesso a um tanque circular do período barroco, rodeado por assentos de granito, sob o copado de árvores frondosas.
De cada extremo do jardim parte uma alameda arborizada, que conduz ao interior do parque, onde uma mata de carvalhos com árvores seculares evoca o ambiente de florestas ancestrais. Numa vertente do Monte da Penha marcada por contrastes de ocupação humana, o parque da Pousada Mosteiro Guimarães permanece como um espaço singular, que merece ser conhecido e salvaguardado.
Roteiro Botânico
Este roteiro propõe um percurso pela diversidade vegetal do parque da Pousada Mosteiro Guimarães. Ao longo do parque, encontra-se sinalizado um conjunto de 12 árvores, cuja descrição aqui se apresenta.
No mapa de localização indicam-se outras espécies que facilmente se conseguem reconhecer. Cada época do ano convida o visitante a descobrir de forma renovada a flora deste parque e a usufruir a tranquilidade deste espaço.
Conheça 12 das árvores presentes no parque
Acacia melanoxylon R. Br.
Designada pelo nome do seu país de origem, esta acácia é frequente em parques e jardins como árvore de sombra. No parque da Pousada, este exemplar poderá ter um século de idade, atingindo mais de 25 metros de altura. Em seu redor formou-se um núcleo de jovens austrálias que prospera com vigor.
Ilex aquifolium L.
Arbusto espontâneo nos carvalhais do norte e centro de Portugal, dando refúgio e alimento à fauna silvestre. Vulnerável e ameaçado, está protegido por lei desde 1989. O parque da Pousada abriga numerosos azevinhos, ao longo das alamedas e na mata de carvalhos, alguns dos quais com porte arbóreo.
Carpinus betulus L.
Oriunda da Europa central, esta árvore é cultivada em Portugal em parques e jardins. Os seus frutos formam ramalhetes na extremidade dos ramos, com efeito ornamental. No parque da Pousada, este frondoso exemplar atinge perto de 30 metros de altura.
Quercus robur L.
Árvore robusta, de grande longevidade, predominou ancestralmente nas florestas do norte e centro de Portugal. No parque da Pousada, a mata de carvalhos alberga uma considerável diversidade biológica. Este carvalho tem vários séculos de idade, projetando no tanque circular a sombra da sua larga copa.
Quercus rubra L.
Nativo do leste da América do Norte, foi introduzido em Portugal pela qualidade da sua madeira. É cultivado em parques e jardins pelo efeito outonal da sua folhagem tingida de vermelho. No contorno do jardim da Pousada, este exemplar ergue-se a mais de 20 metros de altura.
Cedrus atlantica (Endl.) Carrière
Oriundo da cordilheira do Atlas, em Marrocos e na Argélia, foi introduzido como árvore ornamental nos parques e jardins ibéricos. As suas folhas são agulhas curtas e as pinhas desfazem-se quando maduras. Este exemplar, com 40 metros de altura, ombreia com algumas das árvores mais altas do parque da Pousada.
Cupressus lusitanica Mill.
Nativo do México, foi introduzido em Portugal na mata do Buçaco, no séc. XVII, tendo sido difundido como árvore ornamental. O seu nome botânico resultou de um equívoco sobre a sua origem. Este exemplar tem mais de 30 metros de altura e as suas folhas, reduzidas a escamas, revestem a extremidade dos ramos.
Eucalyptus globulus Labill.
O gigante austral que conquistou Portugal é nativo da Tasmânia, tendo chegado à Europa no início do séc. XIX. Este exemplar monumental é a maior árvore do parque da Pousada, com quase 50 metros de altura e 6 metros de perímetro na base. As folhas adultas diferem das juvenis e a casca desprende-se do tronco em longas tiras.
Laurus nobilis L.
Eis a árvore da vitória que a cozinha mediterrânica não dispensa. Com as suas folhas em forma de ferro de lança fizeram-se coroas que laurearam heróis e poetas na Antiguidade Clássica. É uma espécie frequente no parque da Pousada, atingindo este exemplar o porte arbóreo.
Acer pseudoplatanus L.
Espécie nativa em Portugal, muito cultivada como ornamental, tendo numerosas variedades produzidas em viveiro. As suas folhas são semelhantes às do plátano (Platanus x hispanica), mas os frutos nascem aos pares, com asas membranosas. Este exemplar tem mais de 20 metros de altura.
Sequoia sempervirens (D. Don) Endl.
Nativa na costa oeste da América do Norte, esta espécie reivindica o título de campeã em altura do reino vegetal, podendo superar 100 metros no seu habitat natural. Em Portugal é cultivada como ornamental em parques e jardins. O exemplar do parque da Pousada é uma árvore ainda jovem, atingindo 30 metros de altura.
Liriodendron tulipifera L.
Espécie oriunda do leste da América do Norte, com flores vistosas que sugerem tulipas e folhas de silhueta original. No parque da Pousada, este exemplar com 45 metros de altura forma conjunto com outros esplêndidos tulipeiros, em torno da gruta romântica.