História da Pousada de Guimarães, Santa Marinha
Na subida para a cidade de Guimarães, encontra-se a majestosa Pousada de Santa Marinha.
Há escavações feitas na zona da Costa que levam a crer que aqui existiram povoações castrejas e romanas. Defende-se inclusivamente a existência de um estabelecimento religioso(templo) no fim do séc. VI-VII. Foi sendo ampliado durante as grandes reformas do período moçarabe, como o atesta a porta moçárabe, localizada nos Claustros da Pousada Santa Marinha.
No séc. X essa mesma arte moçarabe está no seu apogeu, havendo registos de uma basílica que se supõe ter sido obra da Condessa vimaranense, Mumadona Dias. Esta condessa, a quem se devem obras importantes na cidade ( como a Torre de Menagem do Castelo e a Colegiada de N.ª Sr.ª da Conceição/Oliveira), deixa grande parte dos seus bens ao mosteiro da Costa, provando assim a importância do local.
Mas as maiores e mais credíveis referências que existem, datam de 1154 (séc. XII), quando a esposa de D. Afonso Henriques, D. Mafalda, entrega o mosteiro aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Esta atribuição é feita em honra de Santa Marinha, advogada das parturientes. Crê-se que seria um voto feito pela rainha em virtude de ter sobrevivido a um parto mais complicado.
Estes cónegos durante o tempo em que aí viveram dedicaram-se mais á reconstrução da parte conventual do que á basílica. Contudo, a comunidade foi ficando cada vez mais reduzida, os costumes religiosos foram ficando mais relaxados e urgiu a necessidade de ser extinta esta Ordem.
Assim, sendo padroeiro da Costa D. Jaime, duque de Bragança, foi decidido ser extinta a referida ordem e ser instituída no Mosteiro a Ordem de S. Jerónimo. A 27 de Janeiro de 1528, D. Jaime entrega o edifício a Frei António de Lisboa, Providencial da Ordem de S. Jerónimo.
Em 1537, o rei D. João III instaura aqui um colégio, para que o seu filho D. Duarte (Arcebispo de Braga) possa aqui estudar. Existiam dois tipos de estudos: Humanidades/Artes e Teologia. Em 1539 D. João III autoriza a atribuição de graus de bacharel, licenciado e doutor (equiparados a Coimbra). Aqui também estudou D. António Prior do Crato e ex-futuro rei. Com a morte de D. Duarte a universidade é extinta.
Os monges dedicam-se então a obras de reconstrução e melhoramentos do próprio mosteiro.
Em 1834, com a instauração do Liberalismo (Revolução Liberal), decreta-se a extinção das Ordens Religiosas e estes frades tem que abandonar o edifício.
Com a extinção do Convento, o edifício passou para a Fazenda Nacional e é apresentado em hasta pública. O primeiro proprietário foi José Pinto Basto, fundador da Vista Alegre. Dois anos depois morre e o edifício é novamente posto á venda. Outra das importantes famílias que o possuíram foi a Família Leite Castro.
Em 1931 os Jesuítas regressaram a Portugal e instalaram aqui um seminário, onde ainda estudou o actual presidente da Câmara de Guimarães.
Em 1951 um pavoroso incêndio, destruiu toda a ala nobre apenas poupando a sala do Capítulo e a Varanda Frei Jerónimo e deixou o convento completamente arruinado. E em 1972 foi comprado pelo Estado para o adaptar a Pousada. As obras iniciaram em 1975 sob a responsabilidade do Arquitecto Fernando Távora, tendo como resultado recebido o Prémio Internacional “Europa Nostra” e o Prémio Nacional de Arquitectura (1985).
Em 1985 abre ao público como Pousada. Em 2003 faz remodelações e modernizações de espaços, acrescentando o espaço novo que é a piscina.
História da Cidade de Guimarães
Guimarães, Cidade de origem Medieval, tem as suas raízes no remoto século X. Foi nesta altura que a Condessa Mumadona Dias, viúva de Hermenegildo Mendes mandou construir um mosteiro, que se tornou num pólo de atracção e deu origem à fixação de um grupo populacional. Paralelamente, e para defesa do aglomerado, Mumadona construiu um Castelo a pouca distância, criando assim um segundo ponto de fixação. A ligar os dois núcleos formou-se a Rua de Santa Maria.
Posteriormente, o Mosteiro transformou-se em Colegiada e adquiriu grande importância devido aos privilégios e doações que Reis e Nobres lhe foram concedendo. Tornou-se num afamado Santuário de Peregrinação, e de todo o lado acorriam crentes com preces e promessas.
A Vila foi-se expandindo e se organizando, sendo então rodeada por uma muralha defensiva. Entretanto as ordens mendicantes instalam-se em Guimarães e ajudaram a moldar a fisionomia da Cidade.
Os dois pólos fundem-se num único numa fase posterior e depois do século XV a Cidade intramuros já pouco mudará. Haverá ainda a construção de algumas igrejas, conventos e palácios, a formação do Largo da Misericórdia (actual Largo João Franco) em finais do século XVIII, mas a sua estrutura não sofrerá grande transformação.
Será a partir de finais do século XIX, com as novas ideias urbanísticas de higiene e simetria, que a Vila, elevada a Cidade em 1853 pela Rainha D. Maria II, irá sofrer a sua maior mudança: será autorizado e fomentado o derrube das muralhas, serão construídos os largos do Carmo (hoje, Largo de Martins Sarmento) e Condessa do Juncal, haverá a abertura de ruas e grandes avenidas e posteriormente a parquização da Colina da Fundação e a abertura da Alameda.
Contudo, quase tudo foi feito de um modo controlado, permitindo assim a conservação do seu magnífico Centro Histórico.